Passei todo o mês de janeiro com problemas de conexão e estou de volta.
Eu tenho tanto para lhes falar, mas somente em um único post não sei dizer...
Vamos começar a bateria de posts na tentativa de tirar o atraso
domingo, 1 de fevereiro de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
Um bom ano
Sexta-feira, um prosseco na casa da amiga querida, papo vai, papo vem, outra amiga presente começa a fazer algumas lamentações. A principal dela é dividir a sala, no trabalho, com um colega gordo e calorento, que tem por hábito colocar o ar-condicionado no máximo.
A anfitriã, pessoa de fina sabedoria, olha-a e comenta.
- Este é o seu grande problema atualmente? Poxa, você é uma felizarda.
Depois da frase, não houve nenhuma contrapartida de sua parte, no estilo 'veja como meus probemas são maiores". Não foi preciso. Todos nós sabemos de seu histórico. Perdera o pai de um infarto repentino e fulminante há 20 anos. Suas duas irmãs padecem de doenças mentais e se transformaram em outras pessoas, como ela mesma classifica 'mortas em vida'. Perdeu cinco membros de sua família em 2008 e tem a irmã do marido passando por uma fase de depressão. Outra amiga muito próxima, mais dela do que das demais, teve um câncer diagnosticado na mama e estará se submetendo a uma cirurgia de retirada do seio amanhã.
E nem por isso minha grande amiga fica a se lamentar pelos cantos. Nunca a vejo reclamando e é de uma generosidade impressionante, capaz de acalentar e dar força para quem estiver ao seu redor.
Tenho pensado muito sobre a felicidade. No fim do ano, aumentou um pouco minha tendência reflexiva, é claro.
Na última segunda-feira morreu o pai de um grande amigo meu. Morte estúpida e inesperada. Dois dias antes, eu estava a conversar com ele, o pai do meu amigo, em um churrasco em sua casa. O homem encontrava-se animadíssimo, a contar suas experiêncuas da forma mais encantadora, mostrando um amor à vida contagiante.
A gente não pode fazer nada mesmo contra a morte. Só podemos fazer tudo a favor da vida.
No fim doa ano a gente faz balanços dos erros e acertos, dos objetivos cumpridos e preparamos listas do que almejamos para o próximo ano.
Não tenho aboslutamente nada para me queixar deste ano que acaba na próxima quarta-feira. Das cinco prioridades que listei, só faltou o amor. Mas ainda faltam reês dias, quem sabe...
No mais, fiquei com vontade de colocar apenas uma meta para o Ano Novo: viver os próximos 365 dias sem uma única lamentação.
E quando eu cair na tentação de sentir peninha de mim, que eu vá até o Inca, a um orfanato, ao cemitério e olhe para a dor dos outros, para as perdas dos semelhantes, para quem está em situação pior e passe a me sentir mal de ter raiva do mundo por causa do carro que jogou água da chuva em mim, ou do chefe que é inábil, ou do taxista chato que fica me perguntando a cada curva qual o caminho que eu prefiro.
E quando eu vir uma borboleta azul, ou o arco-íris, ou quando chegar um e-mail do amigo de Londres, ou quando as sobrinhas me derem um abraço, ou quando eu for ao cinema, ou quando minha mãe me ligar, meu pai me chamar de 'Donana', meus irmãos disserem que eu cozinho tão bem quanto minha avó; quando eu ajudar alguém, quando eu for ajudada, quando eu der uma boa gargalhada, quando eu por um homem interessante for olhada, que eu tenha a hombridade de me sentir grata.
E, desta forma, 2009 também vai se tornar um bom ano.
A anfitriã, pessoa de fina sabedoria, olha-a e comenta.
- Este é o seu grande problema atualmente? Poxa, você é uma felizarda.
Depois da frase, não houve nenhuma contrapartida de sua parte, no estilo 'veja como meus probemas são maiores". Não foi preciso. Todos nós sabemos de seu histórico. Perdera o pai de um infarto repentino e fulminante há 20 anos. Suas duas irmãs padecem de doenças mentais e se transformaram em outras pessoas, como ela mesma classifica 'mortas em vida'. Perdeu cinco membros de sua família em 2008 e tem a irmã do marido passando por uma fase de depressão. Outra amiga muito próxima, mais dela do que das demais, teve um câncer diagnosticado na mama e estará se submetendo a uma cirurgia de retirada do seio amanhã.
E nem por isso minha grande amiga fica a se lamentar pelos cantos. Nunca a vejo reclamando e é de uma generosidade impressionante, capaz de acalentar e dar força para quem estiver ao seu redor.
Tenho pensado muito sobre a felicidade. No fim do ano, aumentou um pouco minha tendência reflexiva, é claro.
Na última segunda-feira morreu o pai de um grande amigo meu. Morte estúpida e inesperada. Dois dias antes, eu estava a conversar com ele, o pai do meu amigo, em um churrasco em sua casa. O homem encontrava-se animadíssimo, a contar suas experiêncuas da forma mais encantadora, mostrando um amor à vida contagiante.
A gente não pode fazer nada mesmo contra a morte. Só podemos fazer tudo a favor da vida.
No fim doa ano a gente faz balanços dos erros e acertos, dos objetivos cumpridos e preparamos listas do que almejamos para o próximo ano.
Não tenho aboslutamente nada para me queixar deste ano que acaba na próxima quarta-feira. Das cinco prioridades que listei, só faltou o amor. Mas ainda faltam reês dias, quem sabe...
No mais, fiquei com vontade de colocar apenas uma meta para o Ano Novo: viver os próximos 365 dias sem uma única lamentação.
E quando eu cair na tentação de sentir peninha de mim, que eu vá até o Inca, a um orfanato, ao cemitério e olhe para a dor dos outros, para as perdas dos semelhantes, para quem está em situação pior e passe a me sentir mal de ter raiva do mundo por causa do carro que jogou água da chuva em mim, ou do chefe que é inábil, ou do taxista chato que fica me perguntando a cada curva qual o caminho que eu prefiro.
E quando eu vir uma borboleta azul, ou o arco-íris, ou quando chegar um e-mail do amigo de Londres, ou quando as sobrinhas me derem um abraço, ou quando eu for ao cinema, ou quando minha mãe me ligar, meu pai me chamar de 'Donana', meus irmãos disserem que eu cozinho tão bem quanto minha avó; quando eu ajudar alguém, quando eu for ajudada, quando eu der uma boa gargalhada, quando eu por um homem interessante for olhada, que eu tenha a hombridade de me sentir grata.
E, desta forma, 2009 também vai se tornar um bom ano.
domingo, 21 de dezembro de 2008
De noite na cama
Hoje faz exatamente uma semana desde a primeira noite juntos.
Levei-o até minha cama com uma certa desconfiança, confesso, embora já houvesse quem me fizera propaganda sobre suas as qualidades.
"Maravilhoso", "diferente" e "delicioso" foram apenas alguns dos ajetivos usados por quem já o tinha , digamos, experimentado.
Quebrei finalmente a resistência no último domingo e o trouxe para casa. Minhas noites clamavam por renovação.
E foi assim, em busca do novo, que ele foi parar na minha cama no último domingo.
Nem sei como dizer o que senti. Depois da primeira noite juntos, pensei em como pude viver tanto tempo sem ele.
Não fui à ginásticaa na segunda pela manhã. Segunda à noite, outra dose dele e não deu para sair da cama mais cedo na terça de novo.
Aí virou vício. Foi assim ao longo da semana.
O pior foi enfrentar aquele tempinho chuvoso, no trabalho, sem tirá-lo da cabeça.
Me senti patética, não parei de pensar nele o dia inteiro, louca para encontrá-lo de novo à noite.
Envolvê-lo em meus braços e colocar minha cabeça juntinho a ele me dá um prazer incrível e há muito tempo não passava minhas noites tão bem acompanhada.
Estou completamente apaixonada pelo travesseiro viscoelástico First Class.
Ele amolda-se à região da cabeça e pescoço sem exercer pressão e oferece maior maciez e muito mais conforto para um sono tranquilo.
Diz ainda a propaganda que o material foi desenvolvido pela Nasa.
Não sei se foi ou não, mas que esse travesseiro tem me deixado meus sonhos nas alturas, isso tem.
Levei-o até minha cama com uma certa desconfiança, confesso, embora já houvesse quem me fizera propaganda sobre suas as qualidades.
"Maravilhoso", "diferente" e "delicioso" foram apenas alguns dos ajetivos usados por quem já o tinha , digamos, experimentado.
Quebrei finalmente a resistência no último domingo e o trouxe para casa. Minhas noites clamavam por renovação.
E foi assim, em busca do novo, que ele foi parar na minha cama no último domingo.
Nem sei como dizer o que senti. Depois da primeira noite juntos, pensei em como pude viver tanto tempo sem ele.
Não fui à ginásticaa na segunda pela manhã. Segunda à noite, outra dose dele e não deu para sair da cama mais cedo na terça de novo.
Aí virou vício. Foi assim ao longo da semana.
O pior foi enfrentar aquele tempinho chuvoso, no trabalho, sem tirá-lo da cabeça.
Me senti patética, não parei de pensar nele o dia inteiro, louca para encontrá-lo de novo à noite.
Envolvê-lo em meus braços e colocar minha cabeça juntinho a ele me dá um prazer incrível e há muito tempo não passava minhas noites tão bem acompanhada.
Estou completamente apaixonada pelo travesseiro viscoelástico First Class.
Ele amolda-se à região da cabeça e pescoço sem exercer pressão e oferece maior maciez e muito mais conforto para um sono tranquilo.
Diz ainda a propaganda que o material foi desenvolvido pela Nasa.
Não sei se foi ou não, mas que esse travesseiro tem me deixado meus sonhos nas alturas, isso tem.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Engraçadinha
Na despedida o amigo brada:
- Você não pode ir embora, Ana Paula.
Eu pergunto por que e a resposta vem sem cerimônia:
- Porque você é engraçada!!!!
Não que eu já não soubesse disso de alguma forma, mas me causou certa surpresa. Ainda tive certa presença de espírito de fazer piadinha idiota:
- Você vai me pagar couvert artístico se eu ficar? Não? Então vou embora mesmo...
Agora, vamos às reflexões - algumas doses de ‘mojito’ ajudam no processo:
A vida inteira ouvi que eu sou engraçada. Desde criança. Na escola. No trabalho. Faculdade. Grupo social. Família. Amigos. Amores. Todos riem comigo. Mas eu não sei se gosto disso. Sim eu tenho humor. Sou boba, de pai e mãe. Lá em casa sempre se teve por hábito fazer piada da gente mesmo, nunca nos levamos a sério demais. Acredito no humor e no riso como uma forma de impor uma visão crítica à vida e aos seus acontecimentos. Desde os mais banais, até os mais contundentes. Mas agora, não sei bem o motivo, causou desconforto. Me vejo ‘encucada’ com o comentário do amigo. Sei lá, queria ser agradável, inteligente, charmosa, boa companhia, qualquer coisa, menos ‘engraçada’.
Deve ser a idade...
Quando mais nova, ainda estudante de teatro e jornalismo, precisei fazer um trabalho sobre o riso e a comédia na história da dramaturgia. Foi quando tive um encontro inesquecível com o “ Tratado do riso”, escrito pelo filósofo e pensador de Laurent Joubert , no século XVI. O livro era difícil de encontrar, apenas na rica biblioteca da UniRio, na Urca, encontrei nem bem um exemplar, mas uma cópia autorizada. Passei bons momentos coma publicação. Acabei fazendo um trabalho que me valeu um 10 e ainda foi lido pela professora de Teoria do Teatro em uma turma mais adiantada da faculdade de artes cênicas da UniRio.
Não me lembro de muita coisa, mas recordo-me perfeitamente da comparação feita pelo autor entre a motivação do choro e a do riso. Ele defende que ambos têm a mesma origem, apenas são desencadeadas de forma diferente. Ambas são explosões incontroláveis e causadoras de alívio, indispensáveis no objetivo fim da dramaturgia: a catarse.
Trazendo para minha vida atual, me parece que a ‘bipolaridade’ das emoções causadoras do riso e do choro fazem sentido. Eu não sei por que me acham engraçada, se às vezes eu me acho
triste como um fado caprichado de solos de guitarra portuguesa...
Bateu uma melancolia e estou torcendo que seja apenas pelo alto volume de álcool em circulação no momento em meu sistema sangüíneo...
- Você não pode ir embora, Ana Paula.
Eu pergunto por que e a resposta vem sem cerimônia:
- Porque você é engraçada!!!!
Não que eu já não soubesse disso de alguma forma, mas me causou certa surpresa. Ainda tive certa presença de espírito de fazer piadinha idiota:
- Você vai me pagar couvert artístico se eu ficar? Não? Então vou embora mesmo...
Agora, vamos às reflexões - algumas doses de ‘mojito’ ajudam no processo:
A vida inteira ouvi que eu sou engraçada. Desde criança. Na escola. No trabalho. Faculdade. Grupo social. Família. Amigos. Amores. Todos riem comigo. Mas eu não sei se gosto disso. Sim eu tenho humor. Sou boba, de pai e mãe. Lá em casa sempre se teve por hábito fazer piada da gente mesmo, nunca nos levamos a sério demais. Acredito no humor e no riso como uma forma de impor uma visão crítica à vida e aos seus acontecimentos. Desde os mais banais, até os mais contundentes. Mas agora, não sei bem o motivo, causou desconforto. Me vejo ‘encucada’ com o comentário do amigo. Sei lá, queria ser agradável, inteligente, charmosa, boa companhia, qualquer coisa, menos ‘engraçada’.
Deve ser a idade...
Quando mais nova, ainda estudante de teatro e jornalismo, precisei fazer um trabalho sobre o riso e a comédia na história da dramaturgia. Foi quando tive um encontro inesquecível com o “ Tratado do riso”, escrito pelo filósofo e pensador de Laurent Joubert , no século XVI. O livro era difícil de encontrar, apenas na rica biblioteca da UniRio, na Urca, encontrei nem bem um exemplar, mas uma cópia autorizada. Passei bons momentos coma publicação. Acabei fazendo um trabalho que me valeu um 10 e ainda foi lido pela professora de Teoria do Teatro em uma turma mais adiantada da faculdade de artes cênicas da UniRio.
Não me lembro de muita coisa, mas recordo-me perfeitamente da comparação feita pelo autor entre a motivação do choro e a do riso. Ele defende que ambos têm a mesma origem, apenas são desencadeadas de forma diferente. Ambas são explosões incontroláveis e causadoras de alívio, indispensáveis no objetivo fim da dramaturgia: a catarse.
Trazendo para minha vida atual, me parece que a ‘bipolaridade’ das emoções causadoras do riso e do choro fazem sentido. Eu não sei por que me acham engraçada, se às vezes eu me acho
triste como um fado caprichado de solos de guitarra portuguesa...
Bateu uma melancolia e estou torcendo que seja apenas pelo alto volume de álcool em circulação no momento em meu sistema sangüíneo...
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Inevitável Machado de Assis

2008. Centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, o maior escritor brasileiro. Na minha opinião e na de muitos - bem mais nobres e validados que eu.
Costumo refletir sobre quais seriam os critérios para definir um grande escritor, ou uma obra literária genial. Como uma apreciadora da leitura em qualquer circunstância, acabei criando uma teoria, que nada traz de edificante à humanidade, mas funciona para mim como um indicador de qualidade. Trata-se da capacidade de descrever uma situação, coisa ou pessoa com precisão. Precisão a ponto de surpreender. Precisão que leva à reflexão. Precisão que faz emocionar de tão real, de tão bem traduzida em palavras o amorfo dos sentimentos.
Afinal, parafraseando Nelson Rodrigues "Só os profetas enxergam o óbvio".
Um livro, para mim, só é excelente quando prima, página após página, por trechos marcantes, inesquecíveis, daqueles que fazem a gente ter vontade de sublinhar (sim, eu sublinho livros).
Fiz todo este preâmbulo não apenas porque Machado é o autor de "Dom Casmurro" e esse foi um dos dez mais da minha vida. Nem pelo fato de Capitu ser um dos pesonagens femininos mais fortes da literatura nacional. Não. O que me fez chegar em casa em um dia de folga, abrir o computador e colocar o teclado para funcionar, foi ter ido ver a exposição "Machado no lugar", em cartaz até o dia 20 de dezembro, na Estação de Metrô do Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro. O horário da exposição é de 9:30 às 21:30 e não se paga nada para entrar.
Poderia ser uma exposição como outra qualquer, não fosse a genialidade de Machado e a sensibilidade de quem a concebeu. Os textos de Jô Galazi, aliados à criatividade do design de Ricardo Gomes, unem-se em a harmonia perfeita, difícil de se ver em outras realizações. A arrumação é simples. Esse é talvez o maior mérito: como filosofou Leonardo DaVinci "A simplicidade é a sofisticação máxima"
E é pela simplicidade que a viagem pelo rico universo machadiano conquista o visitante. A exposição "Machado no lugar" não é só bonita. Ela traz movimento a quem a visita. Impossível não sair de lá sem sentir vontade de ler toda a obra de Machado Assis. E só por isso, como disse minha mãe, mestre em Literatura Brasileira e que me acompanhou na visita, "Só por despertar nas pessoas a vontade de ler, e a vontade de ler Machado, a exposição já vai além de seu papel. Além de engrandecimento cultural, presta praticamente um serviço à sociedade".
A minha teoria sobre genialidade se encaixa perfeitamente no caso da exposição: precisa.
E por ser precisa, é também inesquecível.
Vá até a estação mais próxima, pegue o metrô, salte na Carioca e dê lugar na sua vida para Machado de Assis.
Lê-lo será inevitável depois de "Machado no lugar"
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Aliança
Cobertura de um evento de finanças. Várias atividades ao longo da jornada, diversas fontes interessantes e muito trabalho pela frente. O dia já estava terminando e faltava ainda a última entrevista programada. Tratava-se de uma fonte nova, mas de uma empresa velha conhecida. Explico: o antigo diretor era muito acessível e, depois que ele saiu, passei a ter uma certa dificuldade de falar com os técnicos e analistas desta companhia.
Minha missão era, portanto, arrancar umas aspas do novo diretor e, além disso, conquistá-lo como uma fonte novamente 'acessível' para o daqui pra frente. Venci o cansaço e dirigi-me à sala na qual o moço conduziria a palestra de fechamento do evento. Chego lá e me surpreendo. Quem estava palestrando era uma mulher, além de ser uma jornalista conhecida...senti-me meio perdida, olhei novamente no prospecto para ver se estava na sala certa e devo ter feito uma cara tão desolada que acabei atraindo um cidadão, talvez com pena de mim :
- Posso ajudar?
- Eu tava procurando a palestra do...
- Eu sou o ..., mas cedi lugar à esta nossa cliente...etc...etc...
Eu me apresentei e ele imediatamente se colocou à disposição para entrevistá-lo. Saímos da sala, peguei o gravador e só então reparei no homem.
Era a versão do Fábio Assunção, nos tempos pré-Amy Winehouse, só que com 1,90 m de altura!
Aí eu fiquei nervosa.
Para completar a situação, o bem disposto novo diretor daquela conceituada corretora de valores começou a falar com um sotaque muito familiar. Em cinco minutos, eu não prestava mais atenção em nenhuma projeção econômica, tampouco entendia qual seria sua opinião sobre os investimentos em tempos de crise. Para completar o 'mico' balbuciei em voz alta, no meio da entrevista:
- Você é português...
Ele parou de falar, meio atônito, riu e disse:
- Sim, sou.
- Bem que eu desconfiava...esse seu nome... só poderia ser português...
Ele riu de novo, simpático que é, pois a esta altura já me dava como louca na certa.
Para completar o desastre, minha lente de contato resolveu sair do lugar e tive que interromper mais uma vez a entrevista. Ele , muito gentil, disse-me:
- Eu reparei no deslocamento de tuas lentes. Também uso lentes. Queres ajuda?
Pedi para ele segurar o gravador e abri a bolsa em busca de um espelho.
- Pronto - disse já mais recomposta, mas ainda ciente de que era impossível manter-me em estado normal de temperatura e pressão diante daquela boca desenhada pela mais inspiradora das divindades. E que, ainda por cima, emitia aquele sotaque desconcertante e inebriante.
Terminei a entrevista e precisava de fotos . Ele me convidou para ir até o estande. Tirei umas dez fotos do gajo e já estávamos a falar de Vinho do Porto quando ele me entregou seu cartão e eu vi a aliança, bem proporcional ao tamanho das mãos do sujeito.
Imediatamente recobrei meus sentidos.
Se tivesse visto a aliança antes, a entrevista estaria salva...
Minha missão era, portanto, arrancar umas aspas do novo diretor e, além disso, conquistá-lo como uma fonte novamente 'acessível' para o daqui pra frente. Venci o cansaço e dirigi-me à sala na qual o moço conduziria a palestra de fechamento do evento. Chego lá e me surpreendo. Quem estava palestrando era uma mulher, além de ser uma jornalista conhecida...senti-me meio perdida, olhei novamente no prospecto para ver se estava na sala certa e devo ter feito uma cara tão desolada que acabei atraindo um cidadão, talvez com pena de mim :
- Posso ajudar?
- Eu tava procurando a palestra do...
- Eu sou o ..., mas cedi lugar à esta nossa cliente...etc...etc...
Eu me apresentei e ele imediatamente se colocou à disposição para entrevistá-lo. Saímos da sala, peguei o gravador e só então reparei no homem.
Era a versão do Fábio Assunção, nos tempos pré-Amy Winehouse, só que com 1,90 m de altura!
Aí eu fiquei nervosa.
Para completar a situação, o bem disposto novo diretor daquela conceituada corretora de valores começou a falar com um sotaque muito familiar. Em cinco minutos, eu não prestava mais atenção em nenhuma projeção econômica, tampouco entendia qual seria sua opinião sobre os investimentos em tempos de crise. Para completar o 'mico' balbuciei em voz alta, no meio da entrevista:
- Você é português...
Ele parou de falar, meio atônito, riu e disse:
- Sim, sou.
- Bem que eu desconfiava...esse seu nome... só poderia ser português...
Ele riu de novo, simpático que é, pois a esta altura já me dava como louca na certa.
Para completar o desastre, minha lente de contato resolveu sair do lugar e tive que interromper mais uma vez a entrevista. Ele , muito gentil, disse-me:
- Eu reparei no deslocamento de tuas lentes. Também uso lentes. Queres ajuda?
Pedi para ele segurar o gravador e abri a bolsa em busca de um espelho.
- Pronto - disse já mais recomposta, mas ainda ciente de que era impossível manter-me em estado normal de temperatura e pressão diante daquela boca desenhada pela mais inspiradora das divindades. E que, ainda por cima, emitia aquele sotaque desconcertante e inebriante.
Terminei a entrevista e precisava de fotos . Ele me convidou para ir até o estande. Tirei umas dez fotos do gajo e já estávamos a falar de Vinho do Porto quando ele me entregou seu cartão e eu vi a aliança, bem proporcional ao tamanho das mãos do sujeito.
Imediatamente recobrei meus sentidos.
Se tivesse visto a aliança antes, a entrevista estaria salva...
sábado, 22 de novembro de 2008
Era para ser um dia como outro qualquer...
...mas seus olhares cruzaram-se de forma diferente. Não se reconheceram de cara. Já fazia muito tempo desde a última vez em que se admiraram. O primeiro impulso foi de hesitação. O desvio de olhar foi inevitável. Há algo de adolescente em todo reencontro e o primeiro pensamento sempre é "estou apresentável?". Em frações de segundos, blasfemamos o calçado escolhido no dia e a mão, involuntariamente, dirige-se até cabelo. Ajeitar o cabelo é a simbologia, expressa em gesto, daquilo que queríamos ajeitar se pudéssemos voltar no tempo. A gavetinha empoeirada das sensações guardadas abriu-se no instante imediato no qual decidiram voltar o olhar um para o outro novamente. As sobrancelhas franziram-se. Fingiram um reconhecimento gradual, como se puxassem da memória, com um certo esforço, todas as lembranças já transbordadas pelos poros. Ela foi a primeira a sorrir. Usou a estratégia do sorriso a vida inteira e conservou seus dentes até a maturidade para não abrir mão de sua arma mais eficaz. Mas foi comedida para não acentuar as rugas. Neste momento lembrou-se da falta de viço de sua pele e entristeceu-se. Ele , decidido como nos velhos tempos, correspondeu ao sorriso andando em passos firmes na direção dela. Uma das mãos já se estendida para tocar-lhe os ombros, a outra ajeitava os poucos cabelos que restavam, molhados pela chuva, a mesma chuva que os levaram para dentro daquele lugar, para o abrigo no qual o destino reservara-lhes uma surpresa.
- Nossa, você não mudou nada...
Ela esqueceu-se das rugas e quase gargalhou.
- Também veio abrigar-se da chuva?
- Pelo jeito não vai parar nunca... como vai você, menina?
Ela esquecera que ele a chamava de menina. De fato, era uma menina quando se conheceram. Ela 14 anos, ele 18. Tanto tempo, tantas águas roladas, tantas experiências, tantas sucessos e dissabores, tantas frustrações e realizações... De que vale tanta vivência se a vida só faz sentido em momentos como o de agora? Ser chamada de menina pelo primeiro homem que amou na vida e que, no auge da inexperiência e da mudança hormonal intensa, jurara ser o único e para sempre.
Mas aprenderam, com uma música do tempo em que se conheceram, que o para sempre sempre acaba.
Acabou ali, quando trocaram diversas informações sobre o tempo presente.
E ao se despedirem, a chuva passou e a noite veio.
E o dia terminou como um outro qualquer...
- Nossa, você não mudou nada...
Ela esqueceu-se das rugas e quase gargalhou.
- Também veio abrigar-se da chuva?
- Pelo jeito não vai parar nunca... como vai você, menina?
Ela esquecera que ele a chamava de menina. De fato, era uma menina quando se conheceram. Ela 14 anos, ele 18. Tanto tempo, tantas águas roladas, tantas experiências, tantas sucessos e dissabores, tantas frustrações e realizações... De que vale tanta vivência se a vida só faz sentido em momentos como o de agora? Ser chamada de menina pelo primeiro homem que amou na vida e que, no auge da inexperiência e da mudança hormonal intensa, jurara ser o único e para sempre.
Mas aprenderam, com uma música do tempo em que se conheceram, que o para sempre sempre acaba.
Acabou ali, quando trocaram diversas informações sobre o tempo presente.
E ao se despedirem, a chuva passou e a noite veio.
E o dia terminou como um outro qualquer...
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Classificados
Mulher bonita e com muito bom humor procura
boa companhia para cinema e beijo na boca.
Boa companheira, não afeita a "joguinhos" emocionais. Adora tratar bem quem se relaciona com ela. Gosta das coisas boas e simples da vida, mas não descarta uma pitada de requinte eventual.
Corpo bonito e bem distribuído. Carnuda e sensual. Longe dos padrões de beleza vigentes, não é magrela e ossuda. Mulher do mundo real: saudável, com um belo sorriso e do tipo mulherão. Faz bonito no social e na intimidade.
Gosta de ser bem tratada. Elegância e educação são palavras de ordem para ela.
Quanto à aparência, suas exigências são poucas: deve ser mais alto que ela, saudável de corpo e alma, limpo e com dentes bem cuidados. Aprecia homens másculos e gentis ao mesmo tempo. Sabe tratar-se de características de difícil conciliação, mas você é especial, não é?
Indipensável gostar de futebol. E como já ficou claro no começo deste anúncio, faz-se necessário apreciar um bom filme. E um bom beijo.
A quem atender os requisitos, favor marcar encontro em breve, num cinema perto de você.
boa companhia para cinema e beijo na boca.
Boa companheira, não afeita a "joguinhos" emocionais. Adora tratar bem quem se relaciona com ela. Gosta das coisas boas e simples da vida, mas não descarta uma pitada de requinte eventual.
Corpo bonito e bem distribuído. Carnuda e sensual. Longe dos padrões de beleza vigentes, não é magrela e ossuda. Mulher do mundo real: saudável, com um belo sorriso e do tipo mulherão. Faz bonito no social e na intimidade.
Gosta de ser bem tratada. Elegância e educação são palavras de ordem para ela.
Quanto à aparência, suas exigências são poucas: deve ser mais alto que ela, saudável de corpo e alma, limpo e com dentes bem cuidados. Aprecia homens másculos e gentis ao mesmo tempo. Sabe tratar-se de características de difícil conciliação, mas você é especial, não é?
Indipensável gostar de futebol. E como já ficou claro no começo deste anúncio, faz-se necessário apreciar um bom filme. E um bom beijo.
A quem atender os requisitos, favor marcar encontro em breve, num cinema perto de você.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Perplexidade

Sei que nem deveria mais chocar-me com certas coisas, mas...
Andam engasgados em minha garganta a emoção, o desconforto, a mágoa e a revolta diante de mais um ato brutal contra uma criança neste país (embora saiba que crianças sejam vítimas de violência no mundo inteiro).
A violência sexual, seguida de assassinato de uma menina de 9 anos, em Curitiba. O nome dela é Rachel Genofre e seu corpo foi encontrado no porta-malas de uma carro na Rodoviária da capital paranaense, na última quarta-feira.
Sei que correm em paralelo diversos outros casos de violência contra crianças.
Mas a morte de Rachel me tocou de forma especial.
Talvez porque tenha passado tantas vezes pela rodoviária de Curitiba, pois era onde eu fazia baldeação para pegar um ônibus para Blumenau, quando morava lá e voltava de ou ía para o Rio passar férias ou feriado. Achava a cidade bucólica e a rodoviária local era limpa, dava para sentar em um café e comer um pão na chapa e tomar um café com leite sem sentir nojo, tão diferente da rodoviária Novo Rio...
Talvez porque a menina tenha a idade da minha sobrinha mais nova e fosse até parecidinha com ela, com aquela carinha de índia...
Talvez porque eu tenha ficado deveras sensibilizada com o fato de ela voltar todo dia para casa sozinha depois da escola, tão pequenininha, com apenas nove anos...
Lembrei de mim mesma, com sete anos, voltando da escola sozinha, porque meus pais trabalhavam o dia inteiro e ficamos um tempo sem empregada e meus irmãos estudavam em horários diferentes. Lembro de ficar com medo, de sempre tentar ficar bem perto de umas senhorinhas, na intenção de fingir que estava acompanhadas delas..
Do que tinha mais medo? De seqüestro, de rapto.
Tinha pavor das histórias de homens e mulheres que roubavam crianças - e é claro que sempre havia alguma criança mais velha disposta a contar algum 'caso' apavorante , de tirar meu sono...
Eu me entristeci demais com essa morte.
As crianças deveriam ser protegidas e nada de mal deveria acontecer-lhes.
A história da Rachel é terrivel porque tem os componentes da viloência abrupta contra a ingenuidade, conra os sonhos, a violência praticada desde que o mundo é mundo. Acho que me entristeci mais porque estamos diante de fatos tão absurdos como pai matar filha, mãe espancar bebês ou abandoná-los nos lixos, namorado matar namorada, que o fato de uma criança ter sido violentada e morta por alguém que não foi nem o pai e nem a mãe causou em mim uma dor muito mais profunda.
Estou escrevendo aqui sobre isso motivada por um comentário de uma estagiária da escola onde a menina estudava. Segue:
"Quando acontece longe, você diz: 'ah, tudo bem aconteceu', todo mundo sente, mas quando é do teu lado você sente mais. Quem é mãe sabe disso"
Curiosamente estou bem longe da Rachel.
Curiosamente não sou mãe.
Curiosamente sinto mais do que senti com outros tantos casos recentes.
Não sei explicar, mas este caso está causando uma comoção mais silenciosa, mas não menos dura e dilacerante.
E sabem o que penso? Não há justiça no mundo capaz de compensar uma vida ceifada desta forma.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Palavras que não existem no dicionário
Ando sem inspiração, ocupada e cansada. Meus 20 leitores já devem ter desistido. Pensei em fazer uma enquete, apostar na interatividade e pedir sugestões sobre quais assuntos são pertinentes para colocar em um blog...me deu vontade de falar do Fernando Sabino, um dos meus autores preferidos , que era prodigioso em momentos de falta de inspiração.
Não sou o Sabino. O mais próximo que estive dele foi em uma entrevista em sua casa, em 1990, na qual eu estava tão nervosa, mas tão nervosa, que pareci uma retardada no vídeo. Sorte que ele foi com a minha cara e desembestou a falar. Tenho a entrevista em vídeo e há anos tento levar a algum lugar e passar para DVD, para colocar um vídeo aqui...quem sabe vira uma promessa de fim de ano. Depois meu irmão namorou a Mariana, uma entre os sete filhos do escritor mineiro. Até hoje eles são amigos e eu a encontrei sábado passado, na Feira da Rua do Lavradio. Aliás, seria um outro bom assunto, a feira é ótima, a gente encontra um bocado de gente conhecida querida, ouve sambinha, chorinho e até canja do Dicró, comendo uma feijoada honesta em qualquer boteco que se resolva encostar. E por falar em música, hoje fui apresentada a uma que não conhecia. "Quatro Paredes", da Marisa Monte. Olha, eu nem curto a moça, mas confesso ter adorado o sambinha. Eu adoro ser apresentada a músicas, não sou de ouvir rádio, de pesquisar músicos novos, por isso conto com amigos para conhecer novas canções. A música tem tudo a ver com meu momento de vida. Sabe quando a gente quer decifrar umas coisas que se sente? Não sabe? Pois é..nem eu sei. Só sei que adorei o seguinte verso:" Procuro explicar o meu sentimento E só consigo encontrar Palavras que não existem no dicionário Você podia entender meu vocabulário Decifrar meus sinais, seria bom".
Seria bom se a gente fosse compreendida sempre, de cara, sem precisar falar, sem precisar procurar e usar as palavras certas. Eu queria que fosse igual à voz do atendimento eletrônico do provedor da internet. Adoro quando o robozinho do outro lado grita "Entendi!", quando você fala a frase "Linha com defeito" ou "Problemas de acesso à internet". Falei tão pouco e a moça eletrônica me entendeu...seria tão bom se eu soubesse botar arquivo de música aqui e todo mundo pudesse ouvir, mas não sei. Um dia aprendo. Enquanto não aprendo, vou tentando aprender com os clássicos...atualmente, minha companhia de cabeceira tem sido o centenário Bruxo do Cosme Velho. Creio me entender melhor com as palavras que existem no dicionário...
Não sou o Sabino. O mais próximo que estive dele foi em uma entrevista em sua casa, em 1990, na qual eu estava tão nervosa, mas tão nervosa, que pareci uma retardada no vídeo. Sorte que ele foi com a minha cara e desembestou a falar. Tenho a entrevista em vídeo e há anos tento levar a algum lugar e passar para DVD, para colocar um vídeo aqui...quem sabe vira uma promessa de fim de ano. Depois meu irmão namorou a Mariana, uma entre os sete filhos do escritor mineiro. Até hoje eles são amigos e eu a encontrei sábado passado, na Feira da Rua do Lavradio. Aliás, seria um outro bom assunto, a feira é ótima, a gente encontra um bocado de gente conhecida querida, ouve sambinha, chorinho e até canja do Dicró, comendo uma feijoada honesta em qualquer boteco que se resolva encostar. E por falar em música, hoje fui apresentada a uma que não conhecia. "Quatro Paredes", da Marisa Monte. Olha, eu nem curto a moça, mas confesso ter adorado o sambinha. Eu adoro ser apresentada a músicas, não sou de ouvir rádio, de pesquisar músicos novos, por isso conto com amigos para conhecer novas canções. A música tem tudo a ver com meu momento de vida. Sabe quando a gente quer decifrar umas coisas que se sente? Não sabe? Pois é..nem eu sei. Só sei que adorei o seguinte verso:" Procuro explicar o meu sentimento E só consigo encontrar Palavras que não existem no dicionário Você podia entender meu vocabulário Decifrar meus sinais, seria bom".
Seria bom se a gente fosse compreendida sempre, de cara, sem precisar falar, sem precisar procurar e usar as palavras certas. Eu queria que fosse igual à voz do atendimento eletrônico do provedor da internet. Adoro quando o robozinho do outro lado grita "Entendi!", quando você fala a frase "Linha com defeito" ou "Problemas de acesso à internet". Falei tão pouco e a moça eletrônica me entendeu...seria tão bom se eu soubesse botar arquivo de música aqui e todo mundo pudesse ouvir, mas não sei. Um dia aprendo. Enquanto não aprendo, vou tentando aprender com os clássicos...atualmente, minha companhia de cabeceira tem sido o centenário Bruxo do Cosme Velho. Creio me entender melhor com as palavras que existem no dicionário...
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