Só pelo nome do enredo - Tambor - a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro já mereceria o título de campeã do Carnaval de 2009.
Não sei se é claro aos não-cariocas, mas aqui no Rio acostumamo-nos a títulos de enredo de escolas de samba do tipo "A noite em que a rainha de Sabá encontrou Zumbi dos Palmares debaixo de um céu estrelado na paraia de Cucumã, ao pé do morro do Alemão, com a benção da Deusa Ísis, a mãe egípicia de Ogum".
Pois é, como disse Leonardo DaVinci "A simplicidade é a sofisticação máxima". O carnavalesco Renato Lage simplesmente arrasou. Para quem não sabe, Lage já foi campeão com muitos enredos simples e criativos na Mocidade Independente de Padre Miguel, inclusive com um sobre a água, que a Beija-flor meio que fez uma, digamos, 'releitura' este ano, com o enredo sobre o banho.
Foi lindo meu Salgueiro na avenida.
Agora dá licença que vou gritar um berro guardado há 15 anos:
É CAMPEÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Filosofia de boteco
Não há nada mais insuportável do que um homem que se ache genial ou do que uma mulher que se ache irresistível. Ou vice-versa.
Uma pitada de humildade, uma discrição na intelectualidade acima da média ou um 'fingir' não saber o quanto se é belo dão um toque bem mais sedutor e, aí sim, mais genial e irresistível.
Uma dose eventual do bom e velho "Poema em linha reta" de Pessoa não faria mal a certos seres humanos.
Culpa desses livros de auto-ajuda tamanha onda de cabotinismo . "Tem que se gostar", "tem que se amar", "tem que olhar no espelho e repetir "sou linda e todos me amam". Ah, cansei. Autoestima é ótimo e coisa e tal, mas cadê a autocrítica????
Em nome da autoaprovação - reparem que ando tirando os hífens de tudo porque este raio desta nova regra ortográfica está difícil de entrar em minha cachola - as pessoas estão descambando para o ridículo.
É um tal de nego enchendo a boca para falar de um marido que dá em cima de outras, mostrando fotos de filhos como se fossem troféus, contando como são os bons em seu trabalho, falando mal dos outros como se eles fossem perfeitos.
Ando cansada. Cada vez mais cansada.
Quero conhecer alguém que tenha levado porrada, que sofra e tenha dúvidas, que não se leve tão a sério, que saiba errar para saborear melhor os acertos. E que , acima de tudo, saiba ver o mundo com benevolência.
Será que em Marte eu consigo? Não? Então me encontre no boteco mais próximo que eu vou dar atenção aos bêbados, pelo menso são mais autênticos.
Uma pitada de humildade, uma discrição na intelectualidade acima da média ou um 'fingir' não saber o quanto se é belo dão um toque bem mais sedutor e, aí sim, mais genial e irresistível.
Uma dose eventual do bom e velho "Poema em linha reta" de Pessoa não faria mal a certos seres humanos.
Culpa desses livros de auto-ajuda tamanha onda de cabotinismo . "Tem que se gostar", "tem que se amar", "tem que olhar no espelho e repetir "sou linda e todos me amam". Ah, cansei. Autoestima é ótimo e coisa e tal, mas cadê a autocrítica????
Em nome da autoaprovação - reparem que ando tirando os hífens de tudo porque este raio desta nova regra ortográfica está difícil de entrar em minha cachola - as pessoas estão descambando para o ridículo.
É um tal de nego enchendo a boca para falar de um marido que dá em cima de outras, mostrando fotos de filhos como se fossem troféus, contando como são os bons em seu trabalho, falando mal dos outros como se eles fossem perfeitos.
Ando cansada. Cada vez mais cansada.
Quero conhecer alguém que tenha levado porrada, que sofra e tenha dúvidas, que não se leve tão a sério, que saiba errar para saborear melhor os acertos. E que , acima de tudo, saiba ver o mundo com benevolência.
Será que em Marte eu consigo? Não? Então me encontre no boteco mais próximo que eu vou dar atenção aos bêbados, pelo menso são mais autênticos.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Família para quem precisa
Os humanos são os únicos mamíferos que bebem leite após a primeira infância. Outra peculiaridade desta espécie é manter a convivência com os semelhantes nascidos em um mesmo núcleo. Este hábito cultural de mantermos os laços entre pais, irmãos, tios, tias, avós, e todo mundo que tenha alguma relação co-sanguínea (não sei mais se tem hífen esta palavra) é praticamente uma obrigação.
É claro que há quem rompa com estes elos, mas seja qual for o motivo deste rompimento, a sociedade não perdoa. De uma forma ou de outra, costumamos 'condenar' quem resolveu não dirigir mais a palavra a irmãos, pai, mãe ou qualquer tipo de parente.
Conheço um número razoável de pessoas que transitam entre estados de vida pouco elevados (na verdade, uso o eufemismo 'estado de vida menos elevado' para me referir a seres humanos com desvio de caráter) e, certamente, esses humanos menos evoluídos são filhos de alguém, podem ter irmãos e até filhos. Será que eu condenaria o filho, mãe ou irmão de alguém pelo qual nutro pouca simpatia, caso viesse a saber que romperam os laços de convivência com ele? Pois é...Somos bons em julgar, nem tão bons em compreender.
Li recentemente uma matéria na revista 'Marie Claire' brasileira sobre relações tóxicas. A reportagem defendia que deveríamos escolher com quem conviver assim como nos preocupamos em escolher o que comemos, o que usamos na pele, etc..etc.. Posso afirmar que nem sempre a família é o meio mais saudável de se estar a maior parte do tempo (vide casos como de Isabela Nardoni ou do maluco austríaco que teve um pregada de filhos coma filha mais velha, escondendo-a em um porão, sob a conivência de uma mãe desnaturada). Muitas vezes, é preciso radicalizar mesmo, romper a convivência para nos libertarmos da culpa, do medo, da eterna obrigação de agradar, da crítica em excesso. E, em casos extremos como os citados nos parênteses, até para salvar a vida é preciso romper definitivamente com a família.
Cada um de nós sabe onde o calo familiar aperta. Muitas vezes, basta deixarmos de morar com parentes para dar uma aliviada. Outras vezes, é preciso dar um tempo e sumir, talvez passar uma temporada fora da cidade ou do país. Outras vezes, sentimos que é melhor arrancarmos de vez alguém de nossas vidas. Dói pacas, mas temos que parar com a mania de achar que algumas relações são sagradas.
Nada do que é sagrado pode ser tóxico.
E se nos faz mal, temos que descartar, nem que seja para ver que o problema era conosco...
Por isso, talvez, os amigos são considerados a família que a gente escolhe. Há casos muito frequentes de amizades superiores em qualidade de convivência quando comparada à família.
Você já refletiu sobre isso alguma vez ou somente eu sinto isso?
É claro que há quem rompa com estes elos, mas seja qual for o motivo deste rompimento, a sociedade não perdoa. De uma forma ou de outra, costumamos 'condenar' quem resolveu não dirigir mais a palavra a irmãos, pai, mãe ou qualquer tipo de parente.
Conheço um número razoável de pessoas que transitam entre estados de vida pouco elevados (na verdade, uso o eufemismo 'estado de vida menos elevado' para me referir a seres humanos com desvio de caráter) e, certamente, esses humanos menos evoluídos são filhos de alguém, podem ter irmãos e até filhos. Será que eu condenaria o filho, mãe ou irmão de alguém pelo qual nutro pouca simpatia, caso viesse a saber que romperam os laços de convivência com ele? Pois é...Somos bons em julgar, nem tão bons em compreender.
Li recentemente uma matéria na revista 'Marie Claire' brasileira sobre relações tóxicas. A reportagem defendia que deveríamos escolher com quem conviver assim como nos preocupamos em escolher o que comemos, o que usamos na pele, etc..etc.. Posso afirmar que nem sempre a família é o meio mais saudável de se estar a maior parte do tempo (vide casos como de Isabela Nardoni ou do maluco austríaco que teve um pregada de filhos coma filha mais velha, escondendo-a em um porão, sob a conivência de uma mãe desnaturada). Muitas vezes, é preciso radicalizar mesmo, romper a convivência para nos libertarmos da culpa, do medo, da eterna obrigação de agradar, da crítica em excesso. E, em casos extremos como os citados nos parênteses, até para salvar a vida é preciso romper definitivamente com a família.
Cada um de nós sabe onde o calo familiar aperta. Muitas vezes, basta deixarmos de morar com parentes para dar uma aliviada. Outras vezes, é preciso dar um tempo e sumir, talvez passar uma temporada fora da cidade ou do país. Outras vezes, sentimos que é melhor arrancarmos de vez alguém de nossas vidas. Dói pacas, mas temos que parar com a mania de achar que algumas relações são sagradas.
Nada do que é sagrado pode ser tóxico.
E se nos faz mal, temos que descartar, nem que seja para ver que o problema era conosco...
Por isso, talvez, os amigos são considerados a família que a gente escolhe. Há casos muito frequentes de amizades superiores em qualidade de convivência quando comparada à família.
Você já refletiu sobre isso alguma vez ou somente eu sinto isso?
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Jodha Akbar

Uma das melhores experiências já vividas por mim foi no último dia 16 de fevereiro de 2008. Era o 'Valentine's Day', o famoso 'Dia dos Namorados' do hemisfério norte e advinhem onde euzinha estava? Em Londres, muito bem acompanhada.
Pois bem, minha comemoração de 'Valentine's Day' teve um episódio bem original: uma ida ao cinema, em um bairro tipicamente habitado por indianos, para ver um clássico de 'Bolywood': o épico "Jodha Akbar". No elenco, a graciosa, linda e adorada por 11 em cada 10 indianos, Aishwarya Rai . Seu par, Hritik Roshan, não perde em nada para nenhum galã de Holywood. Trata-se de um moreno de olhos verdes de causar hiperventilação à mais desinteressada das mulheres. Aliás, apenas um parêntese: se já é moreno, já tem 1,90m, já é másculo, pra que a natureza dá olhos verdes, meus deuses do Universo!!!! ??? Assim a gente não chega aos 110 anos...
Bem, pegando de volta o caminho da Índia, aquele evento em terras estrangeiras me fez refletir. Talvez o Brasil, ou pelo menos o Rio de Janeiro, seja um dos poucos lugares no mundo ocidental ainda sem grandes comunidads indianas. No resto do mundo, o povo ocupa tradicional lugar na horda de imigrantes que se enraizaram em um espaço diferente, influenciando e sendo influenciados na nova pátria. O cinema estava lotado e eu era a única mulher de pele branca e cabelo curto. Ao meu redor, parecia que o filme já estava rodando: muito sari, muito ouro, muito piercing e tatuagem. Isso mesmo nas mulheres acima de 60 anos. Os homens todos muito elegantes. Afinal, era 'Valentine´s Day' e dia de fazer bonito com a patroa (a cada viagem que faço reafirmo a existência de coisas universais..)
Pois bem. Agora a Índia chegou a uma novela brasileira. E cá estou eu a defender Glória Perez. Primeiro porque tenho ouvido muita gente dizer que nem Márcio Garcia e tampouco Juliana Paes, os protagonistas da atual novela das oito, têm cara de indianos. As estrelas de 'Jodha Akbar', no entanto, lembram bastante os atores brasileiros. Depois, a gente tava precisando de cores alegres, músicas contagiantes e uma história e amor permeada pelas insinuações e situações de conflito amoroso, fadadas a só dar certo no último capítulo. Além de ficar sabendo um pouqinho mais sobre esse país ainda tão distante para nós brasileiros.
O filme que assisti em Londres durou quatro horas e só na última cena, que vocês poderão assistir no link abaixo, o casal finalmente se entende. Infelizmente não achei com legenda em inglês, como assiti na capital britânica. Mas deixe-se levar pelo clima. Muita sensualidade e sedução, sem acontecer nem um único e famigerado beijo na boca, daqueles aos quais acostumamo-nos desde 'A Um passo da Eternidade'. E nem precisa...
Eu voltei
Passei todo o mês de janeiro com problemas de conexão e estou de volta.
Eu tenho tanto para lhes falar, mas somente em um único post não sei dizer...
Vamos começar a bateria de posts na tentativa de tirar o atraso
Eu tenho tanto para lhes falar, mas somente em um único post não sei dizer...
Vamos começar a bateria de posts na tentativa de tirar o atraso
domingo, 28 de dezembro de 2008
Um bom ano
Sexta-feira, um prosseco na casa da amiga querida, papo vai, papo vem, outra amiga presente começa a fazer algumas lamentações. A principal dela é dividir a sala, no trabalho, com um colega gordo e calorento, que tem por hábito colocar o ar-condicionado no máximo.
A anfitriã, pessoa de fina sabedoria, olha-a e comenta.
- Este é o seu grande problema atualmente? Poxa, você é uma felizarda.
Depois da frase, não houve nenhuma contrapartida de sua parte, no estilo 'veja como meus probemas são maiores". Não foi preciso. Todos nós sabemos de seu histórico. Perdera o pai de um infarto repentino e fulminante há 20 anos. Suas duas irmãs padecem de doenças mentais e se transformaram em outras pessoas, como ela mesma classifica 'mortas em vida'. Perdeu cinco membros de sua família em 2008 e tem a irmã do marido passando por uma fase de depressão. Outra amiga muito próxima, mais dela do que das demais, teve um câncer diagnosticado na mama e estará se submetendo a uma cirurgia de retirada do seio amanhã.
E nem por isso minha grande amiga fica a se lamentar pelos cantos. Nunca a vejo reclamando e é de uma generosidade impressionante, capaz de acalentar e dar força para quem estiver ao seu redor.
Tenho pensado muito sobre a felicidade. No fim do ano, aumentou um pouco minha tendência reflexiva, é claro.
Na última segunda-feira morreu o pai de um grande amigo meu. Morte estúpida e inesperada. Dois dias antes, eu estava a conversar com ele, o pai do meu amigo, em um churrasco em sua casa. O homem encontrava-se animadíssimo, a contar suas experiêncuas da forma mais encantadora, mostrando um amor à vida contagiante.
A gente não pode fazer nada mesmo contra a morte. Só podemos fazer tudo a favor da vida.
No fim doa ano a gente faz balanços dos erros e acertos, dos objetivos cumpridos e preparamos listas do que almejamos para o próximo ano.
Não tenho aboslutamente nada para me queixar deste ano que acaba na próxima quarta-feira. Das cinco prioridades que listei, só faltou o amor. Mas ainda faltam reês dias, quem sabe...
No mais, fiquei com vontade de colocar apenas uma meta para o Ano Novo: viver os próximos 365 dias sem uma única lamentação.
E quando eu cair na tentação de sentir peninha de mim, que eu vá até o Inca, a um orfanato, ao cemitério e olhe para a dor dos outros, para as perdas dos semelhantes, para quem está em situação pior e passe a me sentir mal de ter raiva do mundo por causa do carro que jogou água da chuva em mim, ou do chefe que é inábil, ou do taxista chato que fica me perguntando a cada curva qual o caminho que eu prefiro.
E quando eu vir uma borboleta azul, ou o arco-íris, ou quando chegar um e-mail do amigo de Londres, ou quando as sobrinhas me derem um abraço, ou quando eu for ao cinema, ou quando minha mãe me ligar, meu pai me chamar de 'Donana', meus irmãos disserem que eu cozinho tão bem quanto minha avó; quando eu ajudar alguém, quando eu for ajudada, quando eu der uma boa gargalhada, quando eu por um homem interessante for olhada, que eu tenha a hombridade de me sentir grata.
E, desta forma, 2009 também vai se tornar um bom ano.
A anfitriã, pessoa de fina sabedoria, olha-a e comenta.
- Este é o seu grande problema atualmente? Poxa, você é uma felizarda.
Depois da frase, não houve nenhuma contrapartida de sua parte, no estilo 'veja como meus probemas são maiores". Não foi preciso. Todos nós sabemos de seu histórico. Perdera o pai de um infarto repentino e fulminante há 20 anos. Suas duas irmãs padecem de doenças mentais e se transformaram em outras pessoas, como ela mesma classifica 'mortas em vida'. Perdeu cinco membros de sua família em 2008 e tem a irmã do marido passando por uma fase de depressão. Outra amiga muito próxima, mais dela do que das demais, teve um câncer diagnosticado na mama e estará se submetendo a uma cirurgia de retirada do seio amanhã.
E nem por isso minha grande amiga fica a se lamentar pelos cantos. Nunca a vejo reclamando e é de uma generosidade impressionante, capaz de acalentar e dar força para quem estiver ao seu redor.
Tenho pensado muito sobre a felicidade. No fim do ano, aumentou um pouco minha tendência reflexiva, é claro.
Na última segunda-feira morreu o pai de um grande amigo meu. Morte estúpida e inesperada. Dois dias antes, eu estava a conversar com ele, o pai do meu amigo, em um churrasco em sua casa. O homem encontrava-se animadíssimo, a contar suas experiêncuas da forma mais encantadora, mostrando um amor à vida contagiante.
A gente não pode fazer nada mesmo contra a morte. Só podemos fazer tudo a favor da vida.
No fim doa ano a gente faz balanços dos erros e acertos, dos objetivos cumpridos e preparamos listas do que almejamos para o próximo ano.
Não tenho aboslutamente nada para me queixar deste ano que acaba na próxima quarta-feira. Das cinco prioridades que listei, só faltou o amor. Mas ainda faltam reês dias, quem sabe...
No mais, fiquei com vontade de colocar apenas uma meta para o Ano Novo: viver os próximos 365 dias sem uma única lamentação.
E quando eu cair na tentação de sentir peninha de mim, que eu vá até o Inca, a um orfanato, ao cemitério e olhe para a dor dos outros, para as perdas dos semelhantes, para quem está em situação pior e passe a me sentir mal de ter raiva do mundo por causa do carro que jogou água da chuva em mim, ou do chefe que é inábil, ou do taxista chato que fica me perguntando a cada curva qual o caminho que eu prefiro.
E quando eu vir uma borboleta azul, ou o arco-íris, ou quando chegar um e-mail do amigo de Londres, ou quando as sobrinhas me derem um abraço, ou quando eu for ao cinema, ou quando minha mãe me ligar, meu pai me chamar de 'Donana', meus irmãos disserem que eu cozinho tão bem quanto minha avó; quando eu ajudar alguém, quando eu for ajudada, quando eu der uma boa gargalhada, quando eu por um homem interessante for olhada, que eu tenha a hombridade de me sentir grata.
E, desta forma, 2009 também vai se tornar um bom ano.
domingo, 21 de dezembro de 2008
De noite na cama
Hoje faz exatamente uma semana desde a primeira noite juntos.
Levei-o até minha cama com uma certa desconfiança, confesso, embora já houvesse quem me fizera propaganda sobre suas as qualidades.
"Maravilhoso", "diferente" e "delicioso" foram apenas alguns dos ajetivos usados por quem já o tinha , digamos, experimentado.
Quebrei finalmente a resistência no último domingo e o trouxe para casa. Minhas noites clamavam por renovação.
E foi assim, em busca do novo, que ele foi parar na minha cama no último domingo.
Nem sei como dizer o que senti. Depois da primeira noite juntos, pensei em como pude viver tanto tempo sem ele.
Não fui à ginásticaa na segunda pela manhã. Segunda à noite, outra dose dele e não deu para sair da cama mais cedo na terça de novo.
Aí virou vício. Foi assim ao longo da semana.
O pior foi enfrentar aquele tempinho chuvoso, no trabalho, sem tirá-lo da cabeça.
Me senti patética, não parei de pensar nele o dia inteiro, louca para encontrá-lo de novo à noite.
Envolvê-lo em meus braços e colocar minha cabeça juntinho a ele me dá um prazer incrível e há muito tempo não passava minhas noites tão bem acompanhada.
Estou completamente apaixonada pelo travesseiro viscoelástico First Class.
Ele amolda-se à região da cabeça e pescoço sem exercer pressão e oferece maior maciez e muito mais conforto para um sono tranquilo.
Diz ainda a propaganda que o material foi desenvolvido pela Nasa.
Não sei se foi ou não, mas que esse travesseiro tem me deixado meus sonhos nas alturas, isso tem.
Levei-o até minha cama com uma certa desconfiança, confesso, embora já houvesse quem me fizera propaganda sobre suas as qualidades.
"Maravilhoso", "diferente" e "delicioso" foram apenas alguns dos ajetivos usados por quem já o tinha , digamos, experimentado.
Quebrei finalmente a resistência no último domingo e o trouxe para casa. Minhas noites clamavam por renovação.
E foi assim, em busca do novo, que ele foi parar na minha cama no último domingo.
Nem sei como dizer o que senti. Depois da primeira noite juntos, pensei em como pude viver tanto tempo sem ele.
Não fui à ginásticaa na segunda pela manhã. Segunda à noite, outra dose dele e não deu para sair da cama mais cedo na terça de novo.
Aí virou vício. Foi assim ao longo da semana.
O pior foi enfrentar aquele tempinho chuvoso, no trabalho, sem tirá-lo da cabeça.
Me senti patética, não parei de pensar nele o dia inteiro, louca para encontrá-lo de novo à noite.
Envolvê-lo em meus braços e colocar minha cabeça juntinho a ele me dá um prazer incrível e há muito tempo não passava minhas noites tão bem acompanhada.
Estou completamente apaixonada pelo travesseiro viscoelástico First Class.
Ele amolda-se à região da cabeça e pescoço sem exercer pressão e oferece maior maciez e muito mais conforto para um sono tranquilo.
Diz ainda a propaganda que o material foi desenvolvido pela Nasa.
Não sei se foi ou não, mas que esse travesseiro tem me deixado meus sonhos nas alturas, isso tem.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Engraçadinha
Na despedida o amigo brada:
- Você não pode ir embora, Ana Paula.
Eu pergunto por que e a resposta vem sem cerimônia:
- Porque você é engraçada!!!!
Não que eu já não soubesse disso de alguma forma, mas me causou certa surpresa. Ainda tive certa presença de espírito de fazer piadinha idiota:
- Você vai me pagar couvert artístico se eu ficar? Não? Então vou embora mesmo...
Agora, vamos às reflexões - algumas doses de ‘mojito’ ajudam no processo:
A vida inteira ouvi que eu sou engraçada. Desde criança. Na escola. No trabalho. Faculdade. Grupo social. Família. Amigos. Amores. Todos riem comigo. Mas eu não sei se gosto disso. Sim eu tenho humor. Sou boba, de pai e mãe. Lá em casa sempre se teve por hábito fazer piada da gente mesmo, nunca nos levamos a sério demais. Acredito no humor e no riso como uma forma de impor uma visão crítica à vida e aos seus acontecimentos. Desde os mais banais, até os mais contundentes. Mas agora, não sei bem o motivo, causou desconforto. Me vejo ‘encucada’ com o comentário do amigo. Sei lá, queria ser agradável, inteligente, charmosa, boa companhia, qualquer coisa, menos ‘engraçada’.
Deve ser a idade...
Quando mais nova, ainda estudante de teatro e jornalismo, precisei fazer um trabalho sobre o riso e a comédia na história da dramaturgia. Foi quando tive um encontro inesquecível com o “ Tratado do riso”, escrito pelo filósofo e pensador de Laurent Joubert , no século XVI. O livro era difícil de encontrar, apenas na rica biblioteca da UniRio, na Urca, encontrei nem bem um exemplar, mas uma cópia autorizada. Passei bons momentos coma publicação. Acabei fazendo um trabalho que me valeu um 10 e ainda foi lido pela professora de Teoria do Teatro em uma turma mais adiantada da faculdade de artes cênicas da UniRio.
Não me lembro de muita coisa, mas recordo-me perfeitamente da comparação feita pelo autor entre a motivação do choro e a do riso. Ele defende que ambos têm a mesma origem, apenas são desencadeadas de forma diferente. Ambas são explosões incontroláveis e causadoras de alívio, indispensáveis no objetivo fim da dramaturgia: a catarse.
Trazendo para minha vida atual, me parece que a ‘bipolaridade’ das emoções causadoras do riso e do choro fazem sentido. Eu não sei por que me acham engraçada, se às vezes eu me acho
triste como um fado caprichado de solos de guitarra portuguesa...
Bateu uma melancolia e estou torcendo que seja apenas pelo alto volume de álcool em circulação no momento em meu sistema sangüíneo...
- Você não pode ir embora, Ana Paula.
Eu pergunto por que e a resposta vem sem cerimônia:
- Porque você é engraçada!!!!
Não que eu já não soubesse disso de alguma forma, mas me causou certa surpresa. Ainda tive certa presença de espírito de fazer piadinha idiota:
- Você vai me pagar couvert artístico se eu ficar? Não? Então vou embora mesmo...
Agora, vamos às reflexões - algumas doses de ‘mojito’ ajudam no processo:
A vida inteira ouvi que eu sou engraçada. Desde criança. Na escola. No trabalho. Faculdade. Grupo social. Família. Amigos. Amores. Todos riem comigo. Mas eu não sei se gosto disso. Sim eu tenho humor. Sou boba, de pai e mãe. Lá em casa sempre se teve por hábito fazer piada da gente mesmo, nunca nos levamos a sério demais. Acredito no humor e no riso como uma forma de impor uma visão crítica à vida e aos seus acontecimentos. Desde os mais banais, até os mais contundentes. Mas agora, não sei bem o motivo, causou desconforto. Me vejo ‘encucada’ com o comentário do amigo. Sei lá, queria ser agradável, inteligente, charmosa, boa companhia, qualquer coisa, menos ‘engraçada’.
Deve ser a idade...
Quando mais nova, ainda estudante de teatro e jornalismo, precisei fazer um trabalho sobre o riso e a comédia na história da dramaturgia. Foi quando tive um encontro inesquecível com o “ Tratado do riso”, escrito pelo filósofo e pensador de Laurent Joubert , no século XVI. O livro era difícil de encontrar, apenas na rica biblioteca da UniRio, na Urca, encontrei nem bem um exemplar, mas uma cópia autorizada. Passei bons momentos coma publicação. Acabei fazendo um trabalho que me valeu um 10 e ainda foi lido pela professora de Teoria do Teatro em uma turma mais adiantada da faculdade de artes cênicas da UniRio.
Não me lembro de muita coisa, mas recordo-me perfeitamente da comparação feita pelo autor entre a motivação do choro e a do riso. Ele defende que ambos têm a mesma origem, apenas são desencadeadas de forma diferente. Ambas são explosões incontroláveis e causadoras de alívio, indispensáveis no objetivo fim da dramaturgia: a catarse.
Trazendo para minha vida atual, me parece que a ‘bipolaridade’ das emoções causadoras do riso e do choro fazem sentido. Eu não sei por que me acham engraçada, se às vezes eu me acho
triste como um fado caprichado de solos de guitarra portuguesa...
Bateu uma melancolia e estou torcendo que seja apenas pelo alto volume de álcool em circulação no momento em meu sistema sangüíneo...
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Inevitável Machado de Assis

2008. Centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, o maior escritor brasileiro. Na minha opinião e na de muitos - bem mais nobres e validados que eu.
Costumo refletir sobre quais seriam os critérios para definir um grande escritor, ou uma obra literária genial. Como uma apreciadora da leitura em qualquer circunstância, acabei criando uma teoria, que nada traz de edificante à humanidade, mas funciona para mim como um indicador de qualidade. Trata-se da capacidade de descrever uma situação, coisa ou pessoa com precisão. Precisão a ponto de surpreender. Precisão que leva à reflexão. Precisão que faz emocionar de tão real, de tão bem traduzida em palavras o amorfo dos sentimentos.
Afinal, parafraseando Nelson Rodrigues "Só os profetas enxergam o óbvio".
Um livro, para mim, só é excelente quando prima, página após página, por trechos marcantes, inesquecíveis, daqueles que fazem a gente ter vontade de sublinhar (sim, eu sublinho livros).
Fiz todo este preâmbulo não apenas porque Machado é o autor de "Dom Casmurro" e esse foi um dos dez mais da minha vida. Nem pelo fato de Capitu ser um dos pesonagens femininos mais fortes da literatura nacional. Não. O que me fez chegar em casa em um dia de folga, abrir o computador e colocar o teclado para funcionar, foi ter ido ver a exposição "Machado no lugar", em cartaz até o dia 20 de dezembro, na Estação de Metrô do Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro. O horário da exposição é de 9:30 às 21:30 e não se paga nada para entrar.
Poderia ser uma exposição como outra qualquer, não fosse a genialidade de Machado e a sensibilidade de quem a concebeu. Os textos de Jô Galazi, aliados à criatividade do design de Ricardo Gomes, unem-se em a harmonia perfeita, difícil de se ver em outras realizações. A arrumação é simples. Esse é talvez o maior mérito: como filosofou Leonardo DaVinci "A simplicidade é a sofisticação máxima"
E é pela simplicidade que a viagem pelo rico universo machadiano conquista o visitante. A exposição "Machado no lugar" não é só bonita. Ela traz movimento a quem a visita. Impossível não sair de lá sem sentir vontade de ler toda a obra de Machado Assis. E só por isso, como disse minha mãe, mestre em Literatura Brasileira e que me acompanhou na visita, "Só por despertar nas pessoas a vontade de ler, e a vontade de ler Machado, a exposição já vai além de seu papel. Além de engrandecimento cultural, presta praticamente um serviço à sociedade".
A minha teoria sobre genialidade se encaixa perfeitamente no caso da exposição: precisa.
E por ser precisa, é também inesquecível.
Vá até a estação mais próxima, pegue o metrô, salte na Carioca e dê lugar na sua vida para Machado de Assis.
Lê-lo será inevitável depois de "Machado no lugar"
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Aliança
Cobertura de um evento de finanças. Várias atividades ao longo da jornada, diversas fontes interessantes e muito trabalho pela frente. O dia já estava terminando e faltava ainda a última entrevista programada. Tratava-se de uma fonte nova, mas de uma empresa velha conhecida. Explico: o antigo diretor era muito acessível e, depois que ele saiu, passei a ter uma certa dificuldade de falar com os técnicos e analistas desta companhia.
Minha missão era, portanto, arrancar umas aspas do novo diretor e, além disso, conquistá-lo como uma fonte novamente 'acessível' para o daqui pra frente. Venci o cansaço e dirigi-me à sala na qual o moço conduziria a palestra de fechamento do evento. Chego lá e me surpreendo. Quem estava palestrando era uma mulher, além de ser uma jornalista conhecida...senti-me meio perdida, olhei novamente no prospecto para ver se estava na sala certa e devo ter feito uma cara tão desolada que acabei atraindo um cidadão, talvez com pena de mim :
- Posso ajudar?
- Eu tava procurando a palestra do...
- Eu sou o ..., mas cedi lugar à esta nossa cliente...etc...etc...
Eu me apresentei e ele imediatamente se colocou à disposição para entrevistá-lo. Saímos da sala, peguei o gravador e só então reparei no homem.
Era a versão do Fábio Assunção, nos tempos pré-Amy Winehouse, só que com 1,90 m de altura!
Aí eu fiquei nervosa.
Para completar a situação, o bem disposto novo diretor daquela conceituada corretora de valores começou a falar com um sotaque muito familiar. Em cinco minutos, eu não prestava mais atenção em nenhuma projeção econômica, tampouco entendia qual seria sua opinião sobre os investimentos em tempos de crise. Para completar o 'mico' balbuciei em voz alta, no meio da entrevista:
- Você é português...
Ele parou de falar, meio atônito, riu e disse:
- Sim, sou.
- Bem que eu desconfiava...esse seu nome... só poderia ser português...
Ele riu de novo, simpático que é, pois a esta altura já me dava como louca na certa.
Para completar o desastre, minha lente de contato resolveu sair do lugar e tive que interromper mais uma vez a entrevista. Ele , muito gentil, disse-me:
- Eu reparei no deslocamento de tuas lentes. Também uso lentes. Queres ajuda?
Pedi para ele segurar o gravador e abri a bolsa em busca de um espelho.
- Pronto - disse já mais recomposta, mas ainda ciente de que era impossível manter-me em estado normal de temperatura e pressão diante daquela boca desenhada pela mais inspiradora das divindades. E que, ainda por cima, emitia aquele sotaque desconcertante e inebriante.
Terminei a entrevista e precisava de fotos . Ele me convidou para ir até o estande. Tirei umas dez fotos do gajo e já estávamos a falar de Vinho do Porto quando ele me entregou seu cartão e eu vi a aliança, bem proporcional ao tamanho das mãos do sujeito.
Imediatamente recobrei meus sentidos.
Se tivesse visto a aliança antes, a entrevista estaria salva...
Minha missão era, portanto, arrancar umas aspas do novo diretor e, além disso, conquistá-lo como uma fonte novamente 'acessível' para o daqui pra frente. Venci o cansaço e dirigi-me à sala na qual o moço conduziria a palestra de fechamento do evento. Chego lá e me surpreendo. Quem estava palestrando era uma mulher, além de ser uma jornalista conhecida...senti-me meio perdida, olhei novamente no prospecto para ver se estava na sala certa e devo ter feito uma cara tão desolada que acabei atraindo um cidadão, talvez com pena de mim :
- Posso ajudar?
- Eu tava procurando a palestra do...
- Eu sou o ..., mas cedi lugar à esta nossa cliente...etc...etc...
Eu me apresentei e ele imediatamente se colocou à disposição para entrevistá-lo. Saímos da sala, peguei o gravador e só então reparei no homem.
Era a versão do Fábio Assunção, nos tempos pré-Amy Winehouse, só que com 1,90 m de altura!
Aí eu fiquei nervosa.
Para completar a situação, o bem disposto novo diretor daquela conceituada corretora de valores começou a falar com um sotaque muito familiar. Em cinco minutos, eu não prestava mais atenção em nenhuma projeção econômica, tampouco entendia qual seria sua opinião sobre os investimentos em tempos de crise. Para completar o 'mico' balbuciei em voz alta, no meio da entrevista:
- Você é português...
Ele parou de falar, meio atônito, riu e disse:
- Sim, sou.
- Bem que eu desconfiava...esse seu nome... só poderia ser português...
Ele riu de novo, simpático que é, pois a esta altura já me dava como louca na certa.
Para completar o desastre, minha lente de contato resolveu sair do lugar e tive que interromper mais uma vez a entrevista. Ele , muito gentil, disse-me:
- Eu reparei no deslocamento de tuas lentes. Também uso lentes. Queres ajuda?
Pedi para ele segurar o gravador e abri a bolsa em busca de um espelho.
- Pronto - disse já mais recomposta, mas ainda ciente de que era impossível manter-me em estado normal de temperatura e pressão diante daquela boca desenhada pela mais inspiradora das divindades. E que, ainda por cima, emitia aquele sotaque desconcertante e inebriante.
Terminei a entrevista e precisava de fotos . Ele me convidou para ir até o estande. Tirei umas dez fotos do gajo e já estávamos a falar de Vinho do Porto quando ele me entregou seu cartão e eu vi a aliança, bem proporcional ao tamanho das mãos do sujeito.
Imediatamente recobrei meus sentidos.
Se tivesse visto a aliança antes, a entrevista estaria salva...
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