quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O sexo e a cidade

Foto de Ana Paula Cardoso
O título é apenas para chamar sua atenção.


Sou fã do seriado "Sex and the City". Uma jornalista a falar de suas paixões e de sua cidade, no caso, Nova York. Meu alter ego é a personagem principal, Carrie Bradshaw, vivida pela atriz Sarah Jessica Parker. Mas como sou real, de carne - mais carne, infelizmente - e osso, criei este espaço para brincar de "Sex and the City" de vez em quando...


Apesar disso, hoje não vou falar dos relacionamentos, apenas da minha cidade, no caso, o Rio de Janeiro


Sábado passado João Ximenes Braga, colunista do jornal "O Globo", fez uma definição perfeita sobre a relação dele com a cidade - bem parecida com a de muitos cariocas. Ximenes comparou a relação dele com o Rio como aqueles casos amorosos deoentios, que nos fazem mal, mas o sexo é tão maravilhoso que não conseguimos nos livrar deles. Me identifiquei na hora. O lado doentio da relação são as balas perdidas, as incursões da polícia nos morros, o tráfico, a sujeira das praias, a violência urbana e o desrespeito à cidadania.


Mas aí, diz Ximenes Braga, a gente assiste ao pôr do sol no Posto 9, com os olhos virados para o Arpoador, e a sensação é de êxtase, como nos momentos de ápice quando o sexo é 'do bom'.


Embarco hoje para a capital da Inglaterra. Amo Londres, mas sou apaixonada pelo Rio de Janeiro. Paixão e amor até se confundem um pouco em nossa cabeça, mas são bem diferentes. Amor conforta, engrandece. Paixão inebria, alucina. Vivi um romance tórrido com o Rio nestes dias que precederam o dia de hoje.


Passei pelos jardins projetados por Burle Marx que ligam as praias de Botafogo e Flamengo, pelo Aterro. Estive na feira hippie de Ipanema. Fui à quadra da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Por problemas inesperados, tive que sair mais cedo do trabalho, o que me permitiu andar pelo Paço Imperial, pelas ruas centenárias do Centro da Cidade. Na volta para a casa, ainda passei pelo Aterro do Flamengo e pude comtemplar o desenho do Pão de Açúcar cercado pela Baía de Guanabara em plena luz do dia.


A chuva atrapalhou a ida ao pedalinho da Lagoa e a roda gigante instalada no Forte de Copacabana, que acabei só vendo do calçadão da praia mais famosa do Brasil. Mas foi até bom. Ficou aquela sensação de quero mais...


Obrigada pela bela despedida, Rio.


Foi bom pra mim.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

As chaves


A cidade do Rio de Janeiro está oficialmente sob o comando do Rei Momo, até a quarta-feira de cinzas.


Durante a cerimônia de abertura do Carnaval no Rio, o prefeito virtual - não bastasse as fanfarronices de governar via blog e elevar ostensivamente o IPTU, com direito a debochar da população revoltada - conseguiu resgatar a postura de prefeito maluquinho, que andava meio esquecida.


Disse o prefeito que os banheiros químicos, colocados nas ruas por causa dos blocos no fim-de-semana, não deram vazão porque o número de pessoas atrás dos blocos cresceu muito, em comparação a outros anos. Faz sentido. Cesar Maia fez uma análise precisa sobre o aumento da demanda do xixi durante o percurso dos blocos pelas ruas da cidade.


Depois de mais esta pérola, é bem capaz de o povo carioca fazer uma manifestação quando o Carnaval acabar: "Volta, Rei Momo"

domingo, 27 de janeiro de 2008

O Rio de Janeiro Continua Sendo...


Arrepiiiiiiiiiiiia Salgueiro!!!!

"E deixa o sol bronzear
No calor do meu Salgueiro
Eu sou raiz desse chão
E canto a minha emoção
Salve o Rio de Janeiro!"

Eu não poderia me despedir da cidade sem fazer uma coisa: ontem estive na quadra do Salgueiro. Salve a academia!

Que samba lindo, que bateria maravilhosa comandada pelo mestre Marcão.
Eu o reverencio, meu Salgueiro. Faz bonito no Sambódromo este ano. Sai da Sapucaí com o título.
Estarei de longe, torcendo pelo vermelho!
Não digo mais nada.
Ckiquem no link e vejam. Escutem que delícia de samba enredo, enaltecendo o Rio de Janeiro!


Explode coração!!



sábado, 26 de janeiro de 2008

E por falar em amor...

O tema sempre me fascinou. Amor. Passo a minha vida em busca do sentimento mais nobre e completo. O amor dos encontros, da magia da união dos corpos em missão de realização e unicidade, o amor da entrega, do enobrecimento da alma.

O amor também é bonito quando é desenvolvido pelo trabalho, pela causa social, pelos filhos, amigos, família. Bonito, mas não completo.

Quero falar sobre o amor, mas nem sei se sei falar sobre o amor. Acontece que recebi uma mensagem de um amigo querido. Esta mensagem me incentivou. Ele disse que gostaria de deixá-la como um comentário de uma de minhas postagens, mas o site não permitiu, então, creio que ele não verá problema em vê-la publicada aqui:

"Olá,

Li a tua mensagem de natal e vi um link para o teu blog, não resisti, apesar do pouco tempo que tenho nesta época, de vir dar uma espreitadela e deixar este pequeno comentário.Parabéns pelo teu blog, está bastante interessante.Sobre o Amor... já tantos escreveram, praticaram, idealizaram, coreografaram, encenaram, musicaram, ... Mas foram os "outros", não foste tu. Seria com certeza interessante saber como tu escreverias uma ode ao Amor, ou à Amizade.Fico a aguardar.Um grande beijo, um abraço e votos sinceros de um 2008 com muito sucesso e Saúde.

Ruca

ps este comentário era para ter sido escrito no teu blogg, mas não foi!Beijos"

Durante algum tempo acreditei em almas gêmeas. Duas pessoas estariam destinadas a se encontrar porque foram divididas em algum tempo e espaço.

À medida que o tempo passou e vários amores foram sendo vividos, parei de acreditar nesta visão tão limitada do amor. Hoje acredito que a gente pode amar mais de um alguém durante nossa existência.

Temos capacidade de identificar o amor. Fujamos destas místicas que nos impõem!!! Não existe um único amor. E com isso - por favor não confundam - não estou justificando aqueles homens ou mulheres canalhas que dizem amar dois ou mais ao mesmo tempo. Isso não. O amor, para ser verdadeiro, não abre espaço para "coletividade emocional". Pode-se até viver um grande amor mais de uma vez, mas nunca ao mesmo tempo.

Sinto-me incapaz de definr o sentimento, mas outro dia, assistindo a um destes prosaicos seriados de TV americanos ouvi uma definição que me pareceu ter muito sentido.

A personagem estava arrasada pelo término de mais um relacionamento. Questionava-se se deixara passar "o homem da sua vida", se ela teria disposição para se entregar novamente ao amor, visto não estar agüentando a sua dor, etc...etc...aí uma das amigas deu-lhe o alento.
Só é amor verdadeiro aquele capaz de nos transformar. E podemos nos transformar infinitamente ao longo da vida. Aliás, a única coisa que nunca muda no mundo é a certeza que tudo sempre muda.

Achei, então, a definição mais apropriada - ou conveniente, se prefererirem - para o amor.
É claro que há os privilegiados que encontram isso uma úinca vez e assim seguem até o fim. Aí é sorte demais. Ou carmas cumpridos, para quem acredita...

De uma certa forma inconsciente, eu até já fazia a relação entre os homens que amei e o poder transformador de cada um destes relacionamentos. Conto nos dedos de uma das mãos os homens por mim amados. Mas cada um deles me deixou um legado, transformou algum aspecto relevante da minha vida, do meu jeito de ser e encarar o mundo.

Meu primeiro namorado, o homem com quem fiz sexo pela primeira vez, meu ex-marido, o meu fotógrafo preferido e o anjo que até hoje aparece para me salvar nos momentos de dor e angústia.

Cinco homens.
Transformadores.
Com todos tive boas e más experiências.
Mágoas e momentos de êxtase.
Todos doeram na hora da separação. Mas eu os coloco na galeria dos únicos (até o momento) e importantes homens da minha vida.

Os outros não passaram de tentativas e erros. E quantos erros!

Mas continuo aberta para errar, afinal, é errando que se aprende, ou não é?
Como disse Marina Colasanti, no livro cujo título é o mesmo desta postagem (peço licença ao meu amigo Ruca para tomar emprestadas as palavras alheias):

"Existem amores importantes de serem vividos que simplesmente não nasceram para dar certo, mas que podem nos preparar para outros mais felizes"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Minha alma canta


Se vivo estivesse, Antonio Carlos Jobim faria hoje 81 anos.
O carioca da Tijuca dispensa apresentações. Virou músico de renome internacional, imortalizado por belíssimas canções, dentre as quais "Garota de Ipanema", em parceria com Vinícius de Moraes.

A partir deste ano, o dia 25 de janeiro passa a ser oficialmente o dia da "Bossa Nova ", em homenagem dupla: aos 50 anos do movimento musical iniciado em 1958 e ao aniversário do maestro.

Tom Jobim era um apaixonado pelo Rio e só por isso já mereceria minha admiração. Mas, para completar sua magnitude, também ficou conhecido pela genialidade de suas composições, pelo amor à natureza e pelo bom humor contagiante.

Um exemplo de seu temperamento espirituoso eu acabei de escutar na rádio MPB FM. Em depoimento, Roberto Menescal - outro ícone da Bossa Nova - contou uma passagem bem interessante sobre o amigo e companheiro de tantas composições.

Contou Menescal que uns 20 dias antes de Jobim falecer, em 1994, ele o encontrou e contou-lhe que estava surpreso ao saber que, há 20 anos, uma composição sua era a segunda canção mais executada no planeta.

- Poxa Tom, que coisa, Garota de Ipanema é um hit mundial, só soube disso agora. Só perde para Yesterday, dos Beatles - disse Menescal.
- É . Mas eles são quatro, né? - respondeu o maestro.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Asas aos pensamentos

Borboletas são flores com asas. Realmente não lembro quem disse isso. Provavelmente foi algum destes escritores ou poetas de extremo bom gosto e sensibilidade - mas do qual não consigo recordar o nome.

Hoje vi uma belíssima borboleta, no jardim do prédio onde moro. Felizmente, estes amáveis bichos voadores povoam generosamente a cidade do Rio de Janeiro.
As minhas preferidas são as azuis. Estas costumam aparecer nas manhãs ensolaradas de primavera. A de hoje era amarelinha, com algumas pintas brancas e a borda das asas em tom laranja. Parecia uma estampa de tecido dos vestidos de Zuzu Angel.

Tenho uma amiga que garante: borboletas azuis são fadas, se elas cruzam seu caminho, é sinal de sorte, de desejos realizados. Não sei o significado das amarelinhas com pontinhos brancos…

Me digam: qual outra cidade grande me proporcionaria este contato freqüente com borboletas?

Sou completamente apaixonada pela cidade do Rio de Janeiro. E sou correspondida.

Uma cidade que não me deixa entregar os pontos, que me faz acreditar que a vida tem muita beleza.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Frio in Rio

19 graus Celsius, marcava ontem o relógio e termômetro digital no Largo do Machado, por volta das 22:30.
Ainda estamos no verão, do Rio de Janeiro, aquele mesmo dos 40 graus à sombra...

Hoje eu ainda não saí de casa, não sei quantos graus os relógios estão marcando pela cidade, mas posso dizer que a Baía de Guanabara sumiu.
Estava a tomar meu café da manhã, de frente para a vista privilegiada da enseada de Botafogo que tenho da minha sala. Enquanto sorvia uma xícara de mate quente e uma torrada com queijo derretido, me distraí com a leitura do jornal e , de repente, quando voltei meus olhos para fora da porta de vidro da varanda..PUF!...somente uma densa camada cinza se apresentava em minha frente...sumiram os barquinhos, as águas calmas e escuras da Guanabara e também o pedacinho do Pão de Acúcar que minha ampla janela alcança...a última visão antes na névoa ainda me permitiu avistar os dois bondinhos, um descendo, outro subindo. Imagino que eles ainda estejam por lá.

Como estou em contagem regressiva para uma temporada em Londres, embarco dia 31, acho que os deuses do tempo estão brincando comigo, para eu ir me acostumando...

domingo, 20 de janeiro de 2008

São Sebastião

Sebastião era um soldado romano, nascido em 250 dC. Era cristão e quando o imperador romano soube que um de seus mais bravos soldados pregava os ensinamentos de Jesus, mandou matá-lo. Amarram-no em um tronco e deram oito flechadas. Mas Sebastião sobreviveu e , macho que era, voltou no palácio imperial para dizer umas verdades ao imperador. Virou santo. É padroeiro da mais bela cidade do mundo. Cidade que também leva suas flechadas, mas não se entrega, não se deixa morrer. Nem todas as balas perdidas, nem o prefeito blogueiro, nem o governador bom de lábia, nem todo IPTU acharcante, nem toda poluicão das praias ou a dengue hemorrágica vão conseguir vencer esta cidade guerreira, exuberante, quente e bela, muito bela.

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro me ensina muita coisa. Ao olhar para esse céu, esse mar e essa gente feliz, como lindamente cantou Tom Jobim, renovo minhas energias para defender o que o Rio tem de melhor. O Rio é como a bela mulher que assusta. Aí fica melhor falar mal ou correr para São Paulo , porque é mais confortável. Saca homem que casa com a mulher legalzinha porque morre de medo de se casar com o grande amor da sua vida?

Pois é...dei uma bela viajada nesta questão ao me cansar de ouvir um monte de gente que saiu do Rio e gosta de enaltecer outras cidades do Brasil. Eu penso o seguinte: vivo na melhor cidade do Brasil. Para sair daqui, só se for para Londres ou Paris. Especialmente nos momentos de baixa imunidade emocional, minha cidade já ajudou muito me amparando em momentos de profunda tristeza. Basta olhar para a cidade e a gente percebe que precisa de muito pouca coisa para viver feliz. Lembrei de mais uma música, da Marina Lima:

"As coisas não precisam de você
Quem disse que eu tinha que precisar?
As luzes brilham no Vidigal e não precisam de você
Os Dois Irmãos também não precisam"

Viva São Sebastião. Viva os cariocas que sobrevivem às flechadas!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

ZeRo

Tenho um amigo useiro e vezeiro em usar músicas para mandar recados. Quando ele quer dizer algo, começa a cantar. Acho engraçado e admirável a capacidade de escolha do repertório, especialmente a assertividade da letra da canção, que geralmente cai como uma luva no contexto.

Hoje escutei uma canção, interpretada pela Fafá de Belém. Não escutava esta música há muito tempo. Pesquisando, descobri que é de autoria do Leonardo.

"Vou recomeçar,
Vou tentar viver
Vou tirar você da minha vida
E pra não chorar
Antes de partir
Vou tentar sorrir na despedida"

É tudo que algumas mulheres gostariam de dizer a alguns homens que as fazem sofrer.
Mas como tentar sorrir ao se despedir? Hoje em dia os homens somem sem dizer tchau.

nota ZeRo

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Desejo e Reparação


É o título em português do filme ganhador do Globo de Ouro de 2008, o inglês"Atonement".

Adoro estes tipos de filme que mostram como pequenos atos, por vezes impensados, podem mudar completamente os destinos. A lei da causa e efeito me fascina.


Recomendo.